Covid -19 e os mercados: impacto, gestão e sobrevivência

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Covid -19 e os mercados: impacto, gestão e sobrevivência

O planeta entrou numa nova fase relacionada à pandemia. Cada país com suas histórias, números, políticas de saúde, medidas econômicas e estudos que vão definir como e quando retomar a “normalidade possível”.

E dizemos ”normalidade possível” porque já sabemos que nada mais será regido pelos parâmetros anteriores. Absolutamente nada. Nem nossas vidas e muito menos nossos negócios.

Sobre essas questões existe uma infinidade de estudos, relatórios, números e análises de cenário disponíveis na internet e em todos os meios de comunicação que você pode e deve acompanhar e, é claro, filtrar.

E um novo caminho sempre aparece de alguma maneira. Enquanto isso, o que todo empreendedor ou  gestor precisa é traçar um plano estruturado para proteger ao máximo seu negócio.

Nos últimos dias, Agência Influência ouviu especialistas, buscou informações com empreendedores do Brasil e do exterior para produzir um material simples e prático para ajudar você nessa missão.

São 15 tópicos que tratam de gestão de crise.

Como nesse momento ninguém tem a receita do bolo perfeito, se você tiver contribuições ou quiser trocar experiências, será de grande valia para todos nós.

Vamos lá?

1 – Preserve a sua sanidade mental, além da saúde física. 

É exatamente como as instruções que recebemos nas aeronaves: coloque as máscaras de oxigênio primeiro em si, para em seguida ajudar quem está ao seu lado.

Como liderança, o sua conduta é o que vai garantir a serenidade e a produtividade do seu time.

Além das questões envolvendo a sobrevivência do seu negócio existem as preocupações pessoais, com saúde da família, dos seus amigos e a sua própria.

Portanto não se esqueça de que antes de ser empresário você é um ser humano e precisa se fortalecer.

Bons livros, música, leituras, conversas com amigos são sim remédios poderosos nessa hora. Inclua tudo isso e assuma como tarefa na sua rotina diária.

Mais que evitar a contaminação pelo vírus é preciso fugir da contaminação da sua energia e das suas emoções.   

2 – Use informação qualificada e conhecimento para te ajudar a tomar decisões. Tenha critério. Cheque as fontes, analise, use a seu favor. 

3 – Preserve seu time de colaboradores o máximo possível.

Pense muito antes de dispensar alguém. O custo de rescisão é alto e ainda existe todo o investimento em tempo e dinheiro para treinar alguém depois.

4 – Renegocie salários, férias e suspensão de contratos, se necessário.

Outro ponto relevante para esse momento é a possibilidade da suspensão de contratos ou até mesmo renegociação de jornadas de trabalho com redução proporcional do salário.

Além disso, em algumas categorias, os próprios sindicatos já estão se movimentaram para liberar a antecipação e parcelamento de férias individuais ou coletivas, bem como a flexibilização do banco de horas individual.

5 – Monte um “Time de Combate” com suas lideranças.

O ideal é que o time de liderança se comunique todos os dias revisando:

  • O atual cenário
  • As ações planejadas e executadas
  • O impacto das ações
  • Quais novas ações precisam ser implementadas

As reuniões devem acontecer diariamente e com extrema objetividade até que tudo se resolva. O foco é garantir a sobrevivência do negócio.

6 – Momentos críticos demandam ações críticas.

Reveja todos os seus contratos, seja de recebimentos ou pagamentos e avalie cada um deles. E comece então a traçar um plano para criar um “colchão” financeiro para os próximos meses.

7 – Flexibilize os contratos que geram receita

O objetivo é garantir que a receita já contratada, realmente aconteça. Mas esteja preparado, pois os seus clientes também estão sendo impactados pela crise e querem cortar custos.

Mostre-se sempre disponível para conversar e analisar com o seu cliente todos os aspectos que possam ser úteis para ajuda-lo a passar pelo Tsunami.

Flexibilidade é a palavra. O importante é saber como reter esse cliente para não perder receita e fluxo de caixa nesse momento.

Algumas alternativas:

  • Ofereça condições diferenciadas de pagamento (parcelamento) para não       necessitar suspender os contratos e zerar o fluxo de pagamentos.
  • Ofereça serviços extras com custo marginal baixo para reter o contrato (adicionar consultorias, serviços online, etc)
  • Adiante pagamentos com algum desconto (tente antecipar o recebimento futuro com algum desconto para o seu cliente, assim você garante mais caixa para suportar o momento atual).

8 – Renegocie contratos que geram despesas

Para os contratos com fornecedores a palavra é: renegociação. E não só prazos como de valores.

Faça uma análise cuidadosa dos seus fornecedores com maiores margens, uma vez que eles normalmente possuem melhores condições para negociar.

Além disso, dê prioridade aos contratos que geram mais impacto no seu fluxo de caixa, ou seja, os de maior valor, e ou que estão mais próximos da data de pagamento.

Para isso busque apoio jurídico e avalie os termos contratuais, antes de iniciar qualquer renegociação. 

Entenda que conforme as cláusulas, o seu fornecedor pode simplesmente não aceitar as suas propostas.

Cuidado também com os pequenos fornecedores ou os que possuem menos margem ou fluxo de caixa. Lembre-se de que eles também estão passando por um momento complicado e podem quebrar caso você os pressione demais nesse momento.

9 – Espere pelo pior cenário e previna-se

O seu planejamento deve te permitir sobreviver em cenários extremos.

Veja bem: já alcançamos os primeiros 30 dias de crise e a situação continua grave.  Portanto, é prudência e não pessimismo assumir que a crise durará por vários meses, pelo menos mais três ou quatro, e que nesse período as suas receitas sofrerão um impacto de  50% ou mais. A depender do seu setor, podem até mesmo ir a zero.

Portanto  não existe excesso de cautela ou cuidado  numa situação como a que enfrentamos.

10 – Proteja seu caixa

Os especialistas em gestão de crise consideram altamente recomendável que você leve em conta um cenário pessimista onde o seu negócio verá quedas que podem variar a algo entre 50 e 100% da receita.

 No entanto, você dificilmente conseguirá zerar seus custos, e por isso você dependerá das suas disponibilidades de caixa para sobreviver.

O fato é que a maioria dos negócios possui caixa disponível para somente um mês de operação. Ou seja: se ele precisar ficar mais do que um mês sem gerar receita, ele quebra.

Por isso, nesse momento é crucial que você avalie todas as medidas possíveis para que você proteja o caixa do seu negócio.

 11 – Defina um valor mínimo para seu caixa

 Para começar, defina um valor mínimo que você precisa ter em caixa, e comprometa-se a nunca ter menos do que aquele valor no banco.

Esse valor serve como um trigger para você tomar medidas extremas, como demissões em massa no seu negócio.

12 – Antecipe os recebíveis

 Avalie todos os recebíveis que o seu negócio possuí, seja em termos de contratos, ou recebíveis de cartão de crédito com o seu processador de pagamentos.

Nos casos de crises prolongadas a liquidez do mercado diminui progressivamente.

 Assim, é importante que você tenha o dinheiro disponível na conta do banco para usar.

 Desse modo, tente antecipar recebimentos, mesmo que isso signifique deixar algum dinheiro na mesa por conta das taxas de antecipação. Mas sempre utilize instituições financeiras sólidas nesse momento em toda e qualquer operação. 

13 – Fique atento às linhas crédito e financiamento disponíveis

Existem linhas de crédito “emergenciais” para empresas de todo nível e porte.  Ative-as antes que elas sequem.

Mas cuidado: a ideia não é que você utilize esse dinheiro para pagar custos do dia a dia, distribuir dividendos, ou expandir nesse momento. A reserva deve servir para casos extremos.

Na melhor hipótese, você não utilizará esse dinheiro, e poderá pagar integralmente os empréstimos, somente com os juros do período em poucos meses.

14 – Nova linha de crédito para salários

Foi aprovada no final de março em implementada em 6 de abril  uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas (com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano) para ser utilizada no pagamento de salários pelo período de dois meses.

Os juros são de 3,75% ao ano, igual à Selic (taxa básica de juros), com seis meses de carência para pagar, em até 30 meses. O financiamento será oferecido pelos bancos que processam as folhas de pagamento. Em troca, a empresa não poderá demitir por dois meses.

O pagamento será limitado a dois salários mínimos por funcionário, o que hoje equivale a R$ 2.090. Quem ganha um salário mínimo, continuará recebendo o mesmo valor. Quem ganha dois salários mínimos, também.

Quem ganha mais do que dois mínimos passará a receber dois salários mínimos. O complemento ficará a cargo da empresa empregadora, que poderá negociar com o empregado.

Se a opção for a suspensão total de contratos, o governo se compromete a pagar 100% do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito nesse período de dois meses, caso a empresa tenha faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Já grandes empresas, com faturamento maior que esse, terão que se comprometer a bancar ao menos 30% do salário do funcionário afastado. Nesse caso, o governo entra com um complemento de 70% do seguro-desemprego.

No entanto, o recebimento do benefício não será descontado do seguro-desemprego que o trabalhador tiver direito em caso de demissão.

15 – Acompanhe as alterações nas leis e novas medidas

Os governos de todo o mundo estão se movimentando e buscando aprovar medidas para dar suporte aos desafios da crise.

Com isso, novas MPs, Leis e similares estão sendo promulgadas quase que diariamente, e sendo assim é importante que você acompanhe tais movimentações.

Veja alguns exemplos: 

MP 936 – Redução da Jornada de trabalho

  • Aprovada no inicio de abril, a Medida Provisória que instaurou o Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda definiu que o empregador pode, através de acordos individuais ou coletivos com seus empregados, reduzir jornada de trabalho e salário por até 90 dias ou suspender contrato de trabalho por até 60 dias.
  • Nessa modalidade, os empregados afetados têm parte da renda restituída, como se fosse uma parcela do seguro-desemprego. 
  • Seja com redução de jornada ou suspensão de contrato, a primeira parcela do benefício deve ser paga em até 30 dias a partir da data de celebração do acordo.
  • Para isso, o empregador precisa cumprir, obrigatoriamente, o prazo de 10 dias para comunicação ao Ministério da Economia por meio do site da Secretaria de Trabalho e Emprego. Somente após esse procedimento os valores serão liberados.

Postergação do Pagamento do Simples

De acordo com a Resolução CGSN 152/2020 do Comitê do Simples nacional, o pagamento da DAS referente ao simples das competências de Março, Abril e Maio, que deveriam ser pagas em Abril, Maio e Junho, foram postergadas. Importante ressaltar de que as mesmas ainda deverão ser pagas em datas futuras (Outubro, Novembro e Dezembro), e, portanto isso deve ser considerado no seu planejamento de desembolso de fluxo de caixa.

Atraso de débitos com o governo

Avalie o impacto da Medida Provisória nº 899/2019 (MP do Contribuinte Legal) no seu negócio.

Recolhimento do FGTS e INSS

O Governo federal anunciou que pretende autorizar que o recolhimento do INSS e FGTS da folha de pagamento seja postergado por três meses a partir de março/2020 (poderão ser postergados os recolhimentos em Março, Abril e Maio de 2020). Importante ressaltar de que deverão ser compensados no futuro.

Mas é Importante que você fale com seu advogado trabalhista antes de tomar qualquer ação nesse sentido.

Esperamos ter ajudado você com essas dicas e que tenha sucesso ao adapta-las ao seu negocio.

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